terça-feira, 20 de novembro de 2012

EXPLICAÇÕES:


 Darei um tempo na Série: Selena a feiticeira, para trabalhar essa nova série que estou escrevendo aqui no blog o Anjo Caído. É que esta série era pra ser um conto de no máximo quatro partes. Mas percebi que os leitores (raríssimos) gostaram tanto que decidi aproveitá-la e explorá-la melhor.
Contudo, não significa que  abandonarei  a Série Selena, apenas darei um tempo pra suas personagens amadurecerem.



ATÉ LÁ! E CONTINUEM ACOMPANHANDO O BLOG VIU!

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A DAMA DAS TREVAS: GIOVANNA RUBBO


 Cara, quem nunca leu os contos da blogueira Giovanna Rubbo que se mate agora. Corte os pulsos sem dó nem piedade.
Gente quem nunca lera o finíssimo thriller, ponto de vista? Um conto duma garota que não queria usar óculos e com isso enlouquece? Ou até mesmo o tão aclamado conto Escuro onde Rubbo prevê uma sociedade pós-apocalíptica onde quem sobrevive são os mais fortes?

A escrita de Rubbo, assim como a minha, em sua maioria é escrita em primeira pessoa.Usamos este recurso pra darmos voz aos personagens, vestimos sua pele vamos escrevendo até onde eles quiserem. Somo totalmente subjugados por essas criaturas que nos ficam ciciando ao ouvido.

À prova viva disso, são as séries criativas produzidas por Giovanna, em quais, podemos viajar pra Fatalville (lugar onde se ambienta a maioria de suas tramas e que parece ser um ponto de encontro de seres sobrenaturais) a cidade de protagonista de UM DIÁRIO DE UMA BAD GIRL e dentre outras.

O que mais gosto do estilo de Giovanna Rubbo é que ela pega um assuntos já muito saturado pela mídia (vampiros, lobisomens e dentre outros seres) e os atualizam dando-lhes uma versão nova e vicejante. Isto é, ela sabe explorar onde ainda não fora explorado.

Agora falarei de uma coisa chata que mais cedo ou mais tarde irão falar. O design deste blog é, sim, inspirado no da Giovanna. Vocês devem estar falando: mas isso não é plágio? Não. Não é plágio, pois só busquei um conceito que achei legal no blog dela e quis transmitir ao meu. Ah, mais ela também escreve sobre vampiros, bruxas e etecetera. E daí se escrevemos do mesmo assunto?Sinto dizer que podemos escrever do mesmo assunto e de óticas e estilos totalmente diferentes. E é o que nós dá a graça, sabe? Ser diferente!

Bem voltando ao blog, ela agora tem outro qual se chama: A Sétima Encruzilhada, um blog totalmente feito de inspiração duma música da cantora Dulce Maria.

No blog Contos &Caprichos poderão conferir o endereço.

sábado, 17 de novembro de 2012

O ANJO CAÍDO (1ªTemp.) Cap.2

                



                                   2.Os arcanjos.

Vou descortinando os olhos aos poucos.
--Vamos Yzael abra os olhos... Não tenha medo... —diz-me uma voz grossa e poderosa.
Então abro meus olhos por inteiro e vejo quem era o meu interlocutor: um homem de seus (aparentemente) trinta e cinco anos, loiro, olhos azuis e porte atlético. Um cara que nunca vira antes.
Que estranho, por que ele me chamara de Yzael?Aquele era meu nome...? Não conseguia, realmente, lembrar de nada. Só lembro-me de ter acordado naquela cratera ao lado desta concha cheia de pedras. E mais nada. Esforçava-me pra relembrar alguma coisa, porém minha cabeça doía, como se alguém a estivesse pressionando com muita, muita força. Como eu fora parar ali?Se o buraco onde estava tinha mais de cinco metros?Eis as perguntas que voavam ao redor de minha cabeça.
--Você está bem?—pergunta-me o cara de voz grave e potente como um trovão.
--Estou... Mas quem é você...?
Ele dá um sorriso como se acabasse de ter ouvido uma piada.
A todo o momento eu segurava a concha como se fosse um bem necessário e delicado. O que mais me impressionava é que ela transmitia certo magnetismo, como se tivesse vida própria e não quisesse afastar-se de mim.
--Me chamo Miguel... Sou um arcanjo e estou aqui pra protegê-lo Yzael... É melhor sairmos daqui antes que eles cheguem... —disse ele caminhando até mim, ao que recuei alguns passos. Aquele cara era maluco, só podia ser!Que história é essa de arcanjo Miguel e que  ele tinha de me proteger? Quem eram esses “outros”?
--Quem é você, cara... Eu nunca te vi...
Foi quando Miguel aproximara-se de mim e uma luz branca e forte me segou, fazendo com que eu apagasse.

                                 ***

-- Tem certeza que é aqui?—pergunta-me Rubie minha parceira demônio. Estávamos numa espécie de bosque. Havia carvalhos velhos e altos e alguns arbustos rasteiros e espinhosos que compunham a vegetação do lugar.
--Sem vestígios de dúvidas. Olhe ali aquela cratera no chão... —digo indicando o buraco.
Aproximamo-nos da borda da cratera e ficamos a analisar aquela ruptura no chão.
--É recente... Ele não pode ter ido muito longe... —disse a demônio agachando-se perto da borda.
-- E sinto dois cheiros no ar... Um de anjo e o outro de arcanjo... —digo farejando o ar como um cão. Deveras, rescendia no ar um aroma de incenso de rosas mesclado com campo de flores. Porém, estava presente, outro aroma. Alfazema.
--Venha ver isto aqui Rúbia, querida... —berra Rubie que fora parar ao lado dum arbusto. Parecia examinar algo ali, quando ela me mostra algo que encontra.
--O que foi?
--Você não está vendo, não sua burra?—pergunta-me rispidamente. A vontade que tinha era de fulminá-la imediatamente. Mandá-la de volta pro inferno. Mas eu não podia, tínhamos um pacto.
--Lógico que estou vendo. É uma de pena anjo, não é?—rebato.
-- Isso. O que quer dizer que podemos localizá-los facilmente... – expõe ela com um sorriso de orelha a orelha. Tá. O que aquela demônio pretendia fazer?Tudo bem que ela era um século mais velha do que eu, e com isso deveria conhecer muitos feitiços e artimanhas.
--Você tem um isqueiro?
Fico olhando pra cara dela. Que diabos queria ela um isqueiro?Procuro nos bolsos e o encontro. A antiga usuária deste corpão fumava.
--Toma—falo entregando o isqueiro. Rubie estava ficando cada vez mais folgada. Ah... Quando eu pegar aquele anjo, darei um pé na bunda dela. Uhu! E ainda por cima subiria de posto! Como sou demais, cara!
--Dá pra parar de bufar feito uma vaca ensandecida?Preciso me concentrar aqui... —reclama a múmia demônio. Ô criatura chata! Por pouco não desfiro um tapa na cara dela.
Ela estava de cócoras e segurava uma pena enorme (de pelo menos uns trinta e cinco centímetros) de um arcanjo, que muito possivelmente pertenceria a algum arcanjo. Se esse arcanjo estivesse com esse anjo caído, seria um grande problema. Ia ser mega barra pesada. Arcanjos são superiores aos anjos e conseqüentemente muito mais poderosos do que nós demônios.
Não fora a toa que nosso pai Luci fora derrotado pelo “poderoso arcanjo Miguel.”
Pensava nisso quando ouço umas palavras muito estranhas saírem da boca de minha vizinha infernal:
-- Archangelus procurare! Archangelus procurare! Archangelus procurare!—dizia ela feito uma biruta. Em certo momento ela aproximara a tênue chama do isqueiro perto da alva e longa pena.
E essa se consume lentamente. O que mais me chamava à atenção era a cor do fogo. Era tão diferente que fiquei com tal cara de aparvalhada, que Rubie desatou a rir imediatamente.
--Que foi? Nunca viu não é?E cadê? Pra que você pedira o isqueiro?
Ela me deixou completamente no vácuo. Olhava pro céu.
--Ei...! Você não me respondera ainda... —não me responde. Apenas aponta o indicador pro céu negro. Havia na abóboda celeste uma espécie de estrada em azul claro cortando-a.
--O que é isso?
-- É o rastro deixado pelo arcanjo... E pelo que eu estou vendo é um dos sete...
--O que você quer dizer com “um dos sete”?
--No inferno você nunca leu ou soube nada a respeito?—pergunta-me. Balanço a cabeça negativamente. Preferia ficar vendo as almas condenadas serem chicoteadas.
--Então, tá: antes mesmo de o mundo ser criado Deus tinha a seu lado oito arcanjos poderosíssimos.
--E quais eram eles?—pergunto em minha total ignorância a esses assuntos do gênesis. Novamente ela me olha com aquela cara que deveria significar o seguinte: Em que inferno você vivera em todos estes anos?
--Bom são eles: Miguel, Rafael, Gabriel, Jegudiel, Uriel, Selafiel e Baraquiel.
Ops acho que Rubie cometera algum engano. Ela havia dito oito, contudo ela dissera apenas sete nomes. Faltava um.
--Rubie, você se esqueceu...
--Você realmente não aprendera nada esse tempo todo não é?—diz ela cortando-me. Como assim não sabia de nada? Pelo menos não sou que não sabe contar...
-- É o seguinte: nosso mestre Lúcifer fora deposto, quando se decidira rebelar-se diante de seu Criador, pois alegava que era muito melhor e independente. Com isso Miguel seu próprio irmão o expulsa, condenando-o a viver eternamente no inferno. Só que o pessoal lá de cima não imaginava era que Luci, trouxera outros anjos que compartilhavam da mesma ideia consigo. E fora por isso que eu citei sete nomes e não oito. Compreende agora, querida?
Ia perguntar pra ela onde ela havia feito este curso de história do gênesis quando ela abruptamente me diz:
--É melhor andarmos logo antes que o rastro se apague e antes que nossos irmãos cheguem... Sinto um cheiro terrível de enxofre se aproximando... É melhor corremos...
Anui-o a cabeça concordando. Era melhor irmos mesmo. Também podia sentir no ar, um cheiro insuportável de enxofre se tornando cada vez mais forte e se fazendo mais pressente.
Olho em volta. Não havia ninguém ainda, porém meus irmãos não tardariam a chegar. Todos queriam subir de posto lá no inferno. Olho pros olhos vermelhos incandescente de Rubie.
--Preparada pra correr?
-- Lógico.
Respondo sorrindo.
E tão logo iniciamos nossa corrida em direção da estrada deixada pelo um dos sete arcanjos, em busca, de nossa ascensão.

                                  ***

Quando despertei a madrugada se dissolvia lá fora. Podia ver o sol subindo lentamente, tingindo de tons dourados alaranjado o céu ainda escuro.
Minha cabeça como outrora doía. Não consegui pensar em completamente nada. Onde estaria? E quem era aquele...
--Onde estamos?—pergunto quando vejo Miguel parado feito uma fria escultura de gelo em minha frente. Tento me levantar mais, de repente, o mundo a minha volta começa a girar violentamente. Estava zonzo. Sento-me de novo no chão.
--Estamos em um galpão abandonado, num lugar seguro. —explica-me ele próximo a mim. Tão próximo que podia sentir um cheiro forte de alfazema, vindo dele.
O que estava acontecendo comigo?Quem eu era?Seria Yzael mesmo o meu nome? Essas e outras perguntas rondavam minha mente feito cães incansáveis. Forçava, exprimia cada neurônio meu para obter a resposta só que não a conseguia, isso só fazia aumentar, ainda mais, minha dor na cabeça.
--Tome coma... Você precisa se alimentar... Você deve estar faminto... —disse o arcanjo Miguel oferecendo-me uma bandeja com suco de laranja e pães de forma com presunto e queijo. No momento em que meus olhos tocaram naquela bandeja, meu estomago começou a roncar enlouquecidamente, como se fosse um naufrago que não houvesse comido durante anos.

No entanto, recuso. Meu cérebro estava sedento de repostas e não de comida. Encaro-o e pergunto:
--O que é que está acontecendo aqui?
 --Coma primeiro e depois lhe direi o que está se passando— disse ele. Com tal afirmativa fico observando aqueles olhos azuis como firmamento e profundo, sereno como o oceano. E impressionantemente é que acato as suas ordens. Começo a devorar o lanche com uma fome voraz.
Depois, de saciar minha fome e sede. Anuncio:
--Agora pode falar.
Ele fica durante alguns instantes me estudando, como se procurasse a melhor forma pra iniciar. Porém suas palavras me vieram diretas, gélidas e cortantes como navalhas:
--Yzael, você é um filho e tem algo que é muito poderes que se cair nas mãos erradas pode acabar com todo o universo...
De súbito aquele galpão em penumbra e com cheiro de mofo é incendiado por uma luz fortíssima que instantaneamente me cegam. Tudo se tornara branco.

CONTINUA...

 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

KARINA A PEQUENA VAMPIRA


 

Nesta quarta-feira, véspera de feriado, Pedro, trabalhara até as onze. Tinha o pescoço e os outros músculos de seu corpo, tensos e doloridos. No entanto, seu esforço era válido. O seu dia fora altamente produtivo.

Antes mesmo de terminar de verificar o último relatório, a sineta que indicava o fim do expediente soa.

Enfim, mais um dia de labuta cumprido findara-se, amanhã sentaria-se na frente da tevê e beberia uma cerveja estupidamente gelada.

--Tchau, Pedro. Bom feriado— desejava feliz o porteiro.

--Pra você também Gustavo— responde o jovem moço, moreno, de olhos castanhos escuros e lábios vermelhos e grossos.

A lua cheia daquela noite estava encoberta por nuvens densas e negríssimas. Será que choveria amanhã?Não. Isso não podia acontecer. Nada poderia estragar seu tão precioso feriado.

Fora do escritório, carros iam e vinham rareando aos poucos. Trabalhava há três anos como advogado daquele escritório.Tivera muita sorte em conseguir a vaga, assim que, saíra da faculdade.O salário era suficiente pra ele ,Nívea(sua esposa) e seu pequeno casal de filhos.

O vento frio e célere chicoteava seu rosto, apesar de estar vestindo blusa de frio o frio pareci-lhe que penetrava os ossos.

Infelizmente, naquela quarta, não trouxera o carro. Também era algo impossível, pois o motor morria com muita facilidade e com isso mandara-o pra oficina.

Teria que pegar um coletivo e mais um trem.

Olha pro relógio deixado de herança pelo pai que morrera leucêmico. Meia-noite e meia diziam os ponteiros de prata. Chegaria a casa as uma da matina.

 

                                          ***

 

Galga o passamento e adentra numa rua. Rua essa que tinha apenas, um único poste elétrico, cujo de quando em quando ficava a piscar.

Pra onde ia o dinheiro dos altíssimos impostos pagos por cidadãos como ele? Isso era um verdadeiro mistério.

Chega ao ponto de ônibus. O lugar estava quase vazio, pois havia sentado nele, uma pequenina menina de cabelos anelados como ouro e pele branca, pálida como a mais delicada porcelana.

A menina balançava os pés pra lá e cá num ritmo suave e harmonioso.

--Olá, garotinha, qual o seu nome?—pergunta Pedro aflito. Onde estariam os pais desta garota? Céus!Cada vez mais vemos estes pais desnaturados, desatentos,que abandonam os filhos com pretextos estapafúrdios!

--Karina— responde a fragilíssima garota de olhos prateados, gélidos como aço.

--Onde estão seus pais Karina?—interroga o jovem advogado, a essa altura querendo descobrir, o que uma criaturinha tão inocente e meiga fazia ali, solitária. Via-se que Karina passava frio, pois sua pele estava branca quase esverdeada.

--Morreram... —disse a garota agachando aquela sua cabeleira de anéis dourados.

--E seus tios...? Ou avós...?

--Morreram todos... —fala em meia voz quase sumida.

--Não há ninguém da sua família responsável por você?—pergunta incrédulo.

--Todos estão mortos... E estou com muita fome— diz ela num cicio quase inaudível.

--Não ouvi, fale mais alto— diz Pedro aproximando seu pescoço e ouvidos dos lábios de Karina.

--Repita o que você disse Karina... Vamos repita..!

--ESTOU COM FOME!!—anuncia a garota retraindo os caninos e os fincando no pescoço de Pedro.

Ele tentara tirá-la de cima de si, porém não o conseguira. Como um ser daquele tamanho possuía tanta força?Em pouco tempo desistira da luta como se fosse um camundongo que perdera a batalha a uma cobra.

Passado meia hora, Pedro prostara-se no chão. Não adiantava mais resistir. Já não o podia fazer. Fora embranquecendo, embranquecendo como uma sulfite estava perdendo sangue e energia...

Quando Karina se dera por saciada, a lua cheia e gorda resplandecia belamente no céu feito de trevas sem estrelas. Era o auge de sua beleza.

E o pobre cadáver de Pedro, jazia inerte e oco na sarjeta.

Já não vivia mais.

Karina sorria satisfeita com os lábios sujos de sangue.


 

 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O ANJO CAÍDO (1ªTemp.) Cap.1


                      
   1.O Início

Ele estava por perto.
Isso eu tinha certeza absoluta!Podia sentir, ao longe, aquele seu perfume de campo-de-flores, misturado com incenso de rosas vermelhas.
Eca! Odiava aquele cheiro. Me dava ânsias de vomitar.
Precisa encontrá-lo antes dos outros. Antes dos alados e dos chifrudos. Se eu o conseguisse capturar, o El Diablo, com certeza, iria fazer-me de subir de posto no inferno. Yes! E Rubie, ficaria com aquela carranca tenebrosa dela, totalmente desapontada.
Mas para que isso acontecesse, eu necessitava dum corpo.
Olho em meu redor. Impossível.
O lugar onde estava só havia gatos vagabundos, que fuçavam as latas de lixo atrás de ratazanas. O que fazer?Pensava nisso quando ouço um muxoxo...
-- Olá, Rúbia, querida, o que você está fazendo aqui?
Não, não aquilo não podia estar me acontecendo. Aquela voz estridente e zombeteira era-me bem familiar. Viro-me e quase volto pro inferno. Era Rubie!
-- Oi. O que você está fazendo aqui?—pergunto rispidamente. Será que a desgraçada descobrira alguma coisa?
-- O mesmo que você querida...
Rubie tinha o péssimo hábito de ficar chamando os outros de querido ou querida. Era algo muito detestável.
Encaro-a de cima a abaixo. Dou um muxoxo e digo:
-- Como você soube?
--Você não é a única que fica auscultando atrás das portas do salão infernal... Também soube e vim corrido pra cá...
-- Só você soube?—pergunto interessada. Aquela ordinária era mesmo esperta. Tinha de tomar muito cuidado.

-- Não. Pelo menos mais de cem demônios da nossa classe ficaram sabendo. É melhor nós agirmos logo...
O que ela queria dizer com: nós?Não confiava em outro demônio, porque não confiava em mim mesma. Contudo, seria uma boa estratégia unir forças, para capturar aquele...
--Então, sei que você me odeia e você sabe que te odeio, mas que tal fazermos uma trégua? Que tal abdicarmos dessa nossa rixa, pelo um bem maior?Nossos interesses...
Propõe-me ela com aquele seu sorriso de lagarto, com a lingüeta bifurcada a estalar no ar.
Eu tinha que concordar.
 Seria muito mais fácil e rápido pra caçar aquele anjo se tivesse mais outro demônio a me ajudar.
-- Então, tá. Mas, primeiro faremos um pacto.
Ela me olha com aqueles olhos amarelos embaciados e diz:
--O.K.
Rasgo meu posso com a unha e ela o dela. Pingamos o sangue de cada uma na ferida de ambas. O rasgo se cicatriza e um cheiro de enxofre rescende no ar.
--Pronto. Agora teremos que encontrar corpos. Você tem alguma ideia?
 Ela assente a cabeça com um sorriso malicioso.

                                  ***

Estávamos vestidas com os nossos novos corpos. Rubie trajava de uma prostituta de uns vinte e cinco anos aproximados e eu travestia o corpo de uma mulher com uns trinta anos.
--Fomos rápidas não?—diz-me ela sorrindo com aquela boca vermelhíssima. O corpo que ela pegara era maravilhoso. Magra, seios fartos e cintura harmoniosa. Contudo, o que mais se sobressaía era: aqueles cabelos pretos que emoldurando-lhe seu rosto ovalado ; e seus olhos verdes vividos como uma esmeralda.
--Que foi?—me interpela. O que fez com que despertasse daquele transe de admiração. —Está com inveja querida?
--Não... Nem um pingo... —minto. Na verdade estava. O corpo dela era bem melhor do que o meu.
Vejo meu reflexo no vidro duma loja. Cara, aquele corpo era realmente muito tenebroso. Parecia uma pêra. O rosto, então, parecia o da Fiona do Shrek: nariz de batata; beiços largos e grandes; sobrancelhas grossas e arqueadas; e olhos castanhos escuros e foscos. O cabelo desgrenhado e preto me dava aparência de uns sessenta anos. Porém, não poderia fazer mais nadada, pois uma fez que se escolhe um corpo (pelo menos pra nós demônios) não podemos escolher outro.
Isso fora um contrata assinado pelo El Diablo e o lá de cima. Um trato meio que injustos, porque os anjos podem trocar de corpos como bem entendem.
--Você sabe onde estamos?—interroga-me.
--Peba City.
Ela começa rir.
--Peba City? Que nome mais ridículo pra uma cidade. Quem o ouve, pensa se tratar de uma cidade grande e imponente... Mas quando a vê se decepciona, por não passar duma minúscula cidade no fim do mundo...
--E por isso que criaturas sobrenaturais a escolhem pra se manifestar... Por sua pequenez...
--Tá, tá bom... Estamos perdendo muito tempo com essas idiotices... Temos que ir logo atrás do anjo antes que um de nossos parentes do inferno resolva aparecer...

                                     ***

-- Ai, que dor de cabeça... Onde estou?—pergunto-me olhando ao meu redor. Estava escuro e as estrelas reluziam no céu, rebrilhavam como pequeninas lâmpadas incandescentes. A lua majestosa jorrava sua luz sobre mim e um objeto a meia luz a minha esquerda. Levanto-me e aproximo-me dele. Era como se fosse uma daquelas conchas gigantes que encontramos no mar.
Só que aquela era muito diferente.
Ela era rosa e completamente rodeada por pedras azul-piscina. E além de possuir um encanto fenomenal qual quem a visse ficaria perdidamente encantado por aquele brilho de tão rara beleza. Pego. E imediatamente meu corpo inteiro se arrepia como se levasse um choque.
Algo me alertava pra sair dali o quanto antes, todavia, não havia como. Estava encerrado dentro duma, cratera de mais de cinco metros. De alguma forma eu caíra ali...
Mas tinha que sair dali urgentemente. Algo em meu coração dizia, instigava-me a fugir...
Foi quando fecho meus olhos e algo de muito estranho acontece...

 CONTINUA....
                  
 

sábado, 10 de novembro de 2012

A CARTA

raffael petter
 
Termino de ler a carta. Solto um risinho abafado. Procuro o emissário dela. Quem seria?Observo todas aquelas caras. Não, não consigo encontrá-lo. Era uma missão impraticável, pois os rostos de meus companheiros de classe estavam impassíveis, atentos a aula modorrenta de história.
O jeito era chamar por Vivian, minha melhor amiga:
--Ei, Vivian!—digo quase berrando.
Contudo, não me ouve. A pobre estava surda. A culpa obviamente era de seus fones de ouvidos que ia lá às alturas, lhe bloqueando a audição.
Respiro fundo como se estivesse numa aula de mergulho.
Há casos em que só são solucionados através de atitudes altamente extremas.
-- AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!—anuncia a recém-beliscada. Fazendo com que a sala toda vertesse seus olhares para ela. Pouco tempo depois, viera o professor de história atraído pela distração da sala. Pergunta:
--Algum problema, Vivian Moraes Pinto?
-- Não... Nenhum. —responde ela, olhando-me feito um pimentão em fúria.
--Então se assim. Diga-me o autor da seguinte frase:
         “É na mudança que as coisas assentam.”
A pobrezita de minha amiga fica olhando timidamente pra suas unhas esmaltadas com uma provável vontade de roê-las. E eis sua resposta:
-- Não sei...
Ao receber tal resposta o mestre vai ao quadro negro (na verdade era verde) e escreve numa letra garrafal: HERÁCLITO.
--Desculpe. Não foi por querer—digo falsamente. Foi por querer sim. Ninguém mandou ficar ouvindo música no último dos últimos volumes. O bom de uma amiga Vivian é que ela perdoa as coisas facilmente.
-- O que você queria?- pergunta ela. Entrego-lhe a carta. Lê-a e me sorri.
--Quem você acha que é?
-- Bom, eis as opções: a)Dudu, b)Luiz Olavo ou c) Felipe? Eu aposto no Luiz Olavo ele é apaixonadíssimo por você...
Viro-me pra trás e olho. Não. Ele fazia o tipo intelectual, o gênero cientista.
-- Descarto—respondo a sugestão de minha amiga.
-- Então que tal o Dudu? Ele também era super afim de você lembra-se?
Viro minha cabeça pro lado direito, encontro Dudu na última carteira onde estava sentado. Impossível. Não fazia o meu tipo. Por quê?Ah. Porque ele era gótico e não gostaria de um namorado, com qual teria que dividisse o meu estojo de maquilagem.
-- Descarto três vezes. Impossível, impossível e impossível mesmo!—começamos a rir feito duas tontas.
--Então só nos resta... O FELIPE!!—grita minha colega novamente, pra sala inteira. O que faz nós voltarmos àquele estado vexatório que, nos adolescentes,sempre entramos quando somo observados.
E o pior de tudo nem era isso. Era o sorriso de Felipe em nossa direção. O professor de história se aproxima. Ia-nos perguntar algo. Oh God!Estava ferrada!
Contudo, o maravilhoso sinal pra saída soa! Uhu!
E eu e Vivian, tão logo arrumamos nossas bolsas como verdadeiras escoteiras e saímos à cata de Felipe. Tinha de descobrir se era ele ou não.
                                       ***
Encontramos com o suspeito num ponto de ônibus. Aproximamo-nos dele e pergunto sem rodeios.
-- Felipe esta carta e sua?
Ele pega da carta e a lê. E me responde o seguinte:
--Não escrevo estas cartas ridículas de amor... Muito menos a você.
Congelo. O chão debaixo de meus pés parece que afundara. Meu rosto enrubescera, parecendo ter levado cem mil bofetadas na cara. Era, em suma, como se um rolo compressor houvesse passado por cima de mim. Eu e minha melhor amiga saímos de perto desse estúpido. Estávamos arrasadas eu mais do que Vivian óbvio.
Se não fora ele, nem o Dudu ou muito menos o Luiz Olavo, então que fora?
A resposta nos veio logo que assentamos num banco de praça ali perto.
-- Olá, garotas... É Suellen, você pegou algo que é meu...
Levanto minha cabeça pra ver quem era. Fico sem ar. Não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Tom o cara mais gato da escola e da minha sala, falava comigo. Como não havia pensado logo nisso! Então fora ele... Desde o começo era ele...
-- Ah, sim... Agora entendo... Então foi você— mal consigo terminar de falar, pois ele me interrompe com aquela voz de barítono.
--A carta não era pra você e sim pra Jennifer... Foi mal—diz me pondo a mão na cabeça.
Pela segunda vez consecutiva, meu mundo desaba. O tempo todo a carta era pra loira estonteante, que sentava na carteira a minha frente!
Devolvo a carta pro dono e saio puxando Vivian pelo pulso. Pegamos o primeiro ônibus que vimos.
Nunca mais abriria outra carta.
 
Gostaram?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

DESCLUPAS, RETORNO E UMA SÉRIE NOVA

A vocês raríssimos leitores deste blog peço-lhes zilhões de desculpas. Sei que vocês devem estar me achando um descomprometido e irresponsável e etecetera.
Contudo, não é bem assim. Calma. Posso explicar juro.
Não postei nada antes, porque minha net estava, digamos, fora de serviço. É que a Vivo/Telefônica anda com essa mania de deixar os seus clientes na mão... Me descabelei, durante esses dias sem internet. Acelerei minha calvície. Além de me tornar virgem de internet novamente. Fazer o que né?
Mas graças às forças superioras eu estou aqui em sua tela. Sim. Sou estas palavras que seus olhos estão a ler.
Mudando um pouco de assunto... É que estou preparando outra série. Assim que eu finalizar Selena a feiticeira e Cartas vampirescas, começarei esta nova série.
Não poderei falar muito sobre ela, pois é sempre bom manter o sigilo sobre certos projetos...
Todavia adianto o seguinte:
Haverá bruxas de cabelos coloridos e muito poderosas;
Terá um protagonista de nome Artur que viverá altas aventuras;
Haverá um corvo falante : );
E muuuuuuuuiiiiita aventura.
Por enquanto é só isso que poderei revelar, mas no decorrer dos dias talvez poste mas alguma coisa ou quem sabe alguns trechos...
Até lá,
Beijo do gordo! Uou!