quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano,12- Heil Hitler,Heil Hitler!

A noite caíra por completo a mais de uma hora. Marx,corrigindo a prova de historia que aplicara naquela tarde,nem vira o tempo passar de tão concentrado que estava.Olhou para o relógio em seu pulso e de repente, lembrara-se do jantar comemorativo que teria com Eliza, sua mulher. Iriam comemorar os cinco anos de casados. A prova era sobre a Segunda Guerra Mundial. A prova que aplicara naquele dia era uma espécie de análise para ver se os alunos haviam apreendido direito. Ao seu ver, a maioria dos estudantes haviam compreendido como a guerra surgira e seus efeitos quando acabara. Mas dentre todas as outras provas, uma em especial lhe chamara a atenção:
Opine sobre as atrocidades ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial:
HITLER É O PODER. É A ESPECIE MAIS EVOLUIDA DENTRE TODOS OS OUTROS SERES HUMANOS.JUDEUS , NEGROS E  HOMOSSEXUAIS DEVEM SER EXTERMINADOS.
Duas linhas escritas com caneta vermelha em letras maiúsculas e nada mais.Anotou em seu diário o nome do aluno com o qual iria conversar amanhã. No entanto, Max teve um estalo repentino e inconsciente. Levantou da mesa, enfiando com pressa e de qualquer jeito as provas corrigidas dentro duma pasta.
***
Fora até a sala da diretora. Ela não estava lá .Pegou do telefone: ele estava mudo.
***
Max se lembrava com clareza as palavras ditas por Hercovitch e seus amigos ,ao aluno novo o Isaac:
-O que esse judeuzinho de merda faz aqui nesta escola? Como uma criatura como ele ousa manchar o mesmo chão que pisamos?
E antes que Isaac deferisse um soco na cara de Hercovitch,Max segura  o punho de Isaac:
-Vá para diretoria imediatamente,Hercovitch!
-Mas,Max ele é um...
-Não me interessa o que ele é ou seja,quero apenas que você vá para sala da diretora.
Hercovitch ,vermelho de raiva marcha em direção a sala da diretora.
***
Parou em frente ao laboratório da escola.Olhou pela quadrangular janelinha da porta e não acreditara no que os seus olhos viram: o menino Isaac preso a uma maca,debatendo-se tentando livrar-se das amarras que o prendiam,seus gritos eram abafados por um pano posto em sua boca.
Ao lado dele estava, Hercorvitch e seus amigos , vestidos de branco.
Max tentou ligar para polícia só que o celular estava sem sinal.
Súbito, as vozes desafinadas dos garotos que carregavam em sim a inocência da infância e maldade adulta, começam a proferir:
-Heil Hitler!Heil Hitler!Heil Hitler!Heil Hitler!
E a cena que o chocara e que iria lhe perturbar por todo o resto da vida ,se sucede:
A diretora travestida de nazista ( mas parecia um cosplayer de Adolf) aproximasse dos garotos e diz:
-Purifique este ser impudico!
Max não conseguiu entender muito bem como a diretora aparecera ali. Alias ,não entenderia a sucessão de fatos assistia em cadeia.
Hercorvitch pegou uma ampola e a exibiu um estande no ar. Vascolejando o liquido no recipiente. Isaac observava tudo como uma mosca indefesa enredada na armadilha morta de uma aranha faminta.
Gritou ,uma. Gritou ,duas. Gritou,três. Contudo,gritara quando Hercovitch sem hesitar a nenhum momento,jogou o acido sulfúrico em seu rosto.
Max gritou em agonia, num desespero quase louco em ver o aluno agonizante a se remexer no leito. Tentara arrombar a porta ,mas antes que pudesse arromba-la .Mãos frias e enluvadas de branco enredam a sua boca.


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano, 11 - Acumuladora

Acumulava, pois me sentia vazia por dentro e por fora. Então para preencher tal vazio eu acumulava, revistas e cartas. Já era conhecida na vizinhança por passar em frente às casas, indo aos montes de lixos assentados nas calçadas, em busca de revistas e jornais de hoje e ontem.
Nenhum de meus vizinhos falava comigo, pois eu os evitava. Eram hipócritas. Falavam de mim pelas costas, afastavam-se de mim quando transitava na mesma calçada ou rua como se fosse uma espécie de diabo. As crianças  destes, crentes, no que os pais narravam sobre mim, fugiam terrificadas.Havia aquelas mais ousadas quais lançavam pedras em direção ao meu telhado ,vidro de minha janela.
Aquilo tudo só me aumentava o buraco que sentia em meu âmago.
Tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de...
Quanto mais o tempo passava, mais eu acumulava. Era como se um buraco negro existisse dentro de mim. Um poço sem fundo. Enquanto, atulhava minha casa com essas coisas, fingia que não notava que o espaço dela diminuía cada vez mais. A casa estava ficando inabitável, contudo, continuava vazia.

Certa noite, subo ao segundo andar de minha casa para por umas revistas que recém coletara.Desço e vou me deitar na sala: único lugar ainda habitável. Fecho os olhos e sinto o vazio percorrer todo o corpo. De repente, ouço um estalo fortíssimo vindo do alto e....

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano, 9 - O Porão

-Tem certeza absoluta que você trancou a porta do porão?—perguntou Elisabeth.
-Sim, tranquei querida— respondera Michael marido de Elisabeth.
Estavam no corredor da casa onde dava para o porão. A pouca luz do corredor dava a feição de seus rostos algo quase inumano...
***
-Michael?Michael?— chamou Elisabeth, cutucando o marido na cama.
-O que foi?—respondeu ainda sonolento,abrindo uma tenebrosa boca de dentes de ouro num formato de Ó.
-A policia está aí...
***
-Desculpe o incomodo a essa hora da noite, mas é que recebemos a denuncia de gritos vindo de sua casa, então tivemos de verificar...
O policial revirara a casa inteira em busca de algo. Porém, não encontrara nada. Despedira-se do casal desculpando-se.
-Desculpe mais uma vez o incomodo...
-Imagine....— respondera Elisabeth fechando logo após  a porta.
Em seguida, Elisabeth e Michael abriram a porta, acenderam as luzes e começaram a descer a escada do sótão.
Charles estava num canto do sótão encolhido como uma pomba ferida tentando dum gato.
-Quem mandou você gritar Charles?—gritara Elisabeth segurando com a tremula mão da direita o que parecia ser um chicote...

Charles se encolhera ao fundo do sombrio porão como um  rato, que recua ao se deparar com um gato.

sábado, 15 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano,10 - A Viscondessa


raffael petter

I
Ligou para Tereza. Disse que ela reunisse seus melhores amigos,pois tinha algo a lhes contar.
  II
Casa de Tereza. Estavam na sala: ele,Tereza, Humberto(amigo de Tereza) e Mariana(também amiga de Tereza).
Jogavam conversa fora,no entanto, Tereza sabia que algo estava acontecendo.
III
Já anoitecera quando Tereza pergunta:
- Cadê ele?
- Deve estar no banheiro...
- Nossa esse banheiro fica aonde Mariana? Em Neverland? –respondera Humberto. Tereza cai na risada. Mas continuava nervosa e com aquela sensação de que algo estava prestes a acontecer.
IV
Ele voltou a sala escondendo algo atrás das costas. Todos observavam atentos. Não era aniversario de nenhum deles ali.
- Tenho um presente pra você ,Tereza— disse Tirando o que escondia: um sabre.
Desembainhou a arma branca cravejada de pedras preciosas e degolou Tereza.
V
Um banho de sangue. O corpo da Tereza parecia uma fonte interminável de sangue.
Mariana gritou,gritou,gritou...
Humberto, em choque tentou deter ele, mas ele fugira. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano,8- Eleonor e as Raposas

Raposa e uma mulher
Eleonor sabia que se eles continuassem a desmatar a situação só iria piorar. Para que construir mais hotéis naquela cidade? Para quê?
Ao anoitecer entabulara uma conversa com o prefeito da cidade. A luz de velas e ao som de harmoniosos violinos ao fundo.
-Então, bióloga o que você deseja?
-Desejo que você pare de desmatar, Joe...
Joe olhou para bióloga brasileira com ternura. Não deveriam ter se separado. Eleonor era uma ótima esposa.Porém,muito extremista quando o assunto era ecologia.
-Infelizmente, não o posso fazer querida... —disse ele levando a mão na de Eleonor como se fosse uma serpente,mas Eleonor se esquiva pegando a taça de vinho tinto.—O projeto que estamos a realizar só traria benefícios para cidade.
-Então essa é a sua palavra final, não é?—perguntou ela encarando-o.
Joe anui a cabeça.

Desmataram o resto da floresta. Construíram em seu lugar vários hotéis de luxo. Os animais amendotrado e famintos fugiram para o local mais próximo onde encontrariam comida e água facilmente.
Raposas dominavam as ruas. Algumas chegaram atacar crianças. Os pais e filhos acossados mantinham-se ilhados em casa.
Casa do prefeito: noite, uivos altos e raivosos. Ele soubera da invasão de raposas na cidade, contudo, estivera tranqüilo até agora já que onde morava seria impossível elas invadirem.
Levantou-se. E pôs-se a observar da janela de seu quarto.


Eleonor estava nua e raposas e outros animais observavam Joe com olhos cintilantes.

Terror do Cotidiano,7 - O Autômato


Colocou o cartão de memória na reentrância, apertou o botão e torceu. Tinha que funcionar. Apertou o botão pequeno de cor verde quase imperceptível na nuca. Esperou. Um estalido metálico.
Ele olhou a máquina se mover. Era exatamente como ela. Aproximou-se e a encarou. Pode resgatar lá no fundo vítreo e obscuro de seus olhos, algo que rememorasse a Moira. Não sabia o que era.Na verdade, sabia,contudo,não conseguiria exprimir em sentença.
Tocou a pele emborrachada e fria. E a beijou ternamente.
Ela não correspondera.

Terror do Cotidiano,6- Doroti

Contos de Terror com bonecas


Doroti segurava Melissa com muita força. Era a sua única amiga. Olhou para as nuvens negras no céu e o furacão saindo dentre elas vindo em sua direção.
Mirou a boneca de pano pendente em sua mão direita. Melissa não se pronunciava por quê?,pensou a garota. Momento antes de fugir do sótão de sua casa pode ouvir Mel, lhe dizer que aqueles dois furacões as levariam a terra de Oz. Contudo, a boneca de pano calara-se em seu mundo de imobilidade.
O vento se tornava cada vez mais forte. O milharal se curvava a aquela força que parecia inexorável. A ventania silvava... Parecia tentar se comunicar com a pequenina garota.
Doroti deixou as lágrimas fugirem para logo em seguida enxugá-las com os punhos. Olhou para trás. Ainda dava tempo de voltar. Voltar para casa. Retornar aos braços apertados e ternos de sua vó que adormecera no sótão.
O furacão se aproximava.
Olhou mais uma vez para casa de madeira atrás de si.
Observou Mel por uns instantes e esta lhe sorrira.

Não podia voltar. Teria que ir para Oz. Não poderia voltar.

Terror do Cotidiano,5- A Foto

Contos de terror mais fotografia
Não lembro que matéria foi essa :(

- Por que tínhamos de vir justo pra cá Marcos? Credo, esse lugar me dá arrepios... —disse Lorena esfregando os braços. Estava frio e uma densa neblina cobria todo o Alcatraz.
-Ué,fotografar...
-Não seja cínico Marcos...—disse ela sorrindo.—Viemos aqui por causa do meu ensaio fotográfico. Nada mais.
-Certeza?—disse ele erguendo a sobrancelha grossa.
-Sim, certeza –responde atrevida. Aproximou-se de Marcos. Beijou-o e pegou da máquina que estava em suas mãos.—Tire a roupa,vamos.
-Você está louca?
-Não. Vamos, tire a roupa.
Marcos sorriu e começou a se despir. Casaco, calça e sapato. Ficara só de cueca.
Fora então que Lorena começara a fotografá-lo: click,click,click. Tirara muitas fotos, muitas.
-Acabou já?—perguntara Marcos ao notar que Lorena parara de tirar fotos subitamente. Centrada, ela observava a máquina. Isso preocupara Marcos. —O que foi?
Estende a máquina ao fotografo.
No visor, Marcos estava com a língua pra fora e vesgo, mas o que chamava atenção era a pessoa atrás dele. Um homem com saco de papel na cabeça com dois furos na altura dos olhos, segurando um machado. Olhou imediatamente para trás.
Não havia nada.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano,4- Os 3 Raios

O Primeiro Raio: Ressuscitada
A lágrima de Mayara escorrera por sua bochecha e caíra na lápide de sua mãe. Não adiantaria secá-la, pois chovia. Uma verdadeira tempestade. Nuvens fechadas, feitas de chumbo, rondavam a sua cabeça. O clima relacionava-se com o que Mayara sentia naquele momento: a dor obscura da perda. A dor da saudade de perder alguém que se ama. O coração sendo esmigalhado pela garra da saudade: não mais veria a mãe; não mais sentiria o seu cheiro; não mais ouviria sua voz; não mais sentiria o seu afago.
Estava sozinha no cemitério. O pai a esperava do lado de fora. No entanto, não podia, não queria sair dali. Precisava fazer companhia à mãe falecida. Amassou-se na lama, esfregou-se na rala grama. Chorava.
***
Foi tudo muito rápido: o céu estremecera parecendo desabar: um raio cortou-o em direção da Mayara. A garota não teve tempo de se levantar, fugir.  Também não queria. Estirou-se de peito aberto no tumulo materno, esperando o raio atravessá-la.
***
Foi despertada com um toque na testa. Um toque frio e molhado. Abriu vagarosamente os olhos ,sentindo vir junto ao ato uma enorme dor de cabeça. Não se recordava de nada do que acontecera.
Olhou para cima e gritou num misto de horror e euforia: a mãe de Mayara havia ressuscitado.
O Segundo Raio: A Salvação
Souza  finalmente sacara o primeiro pagamento de seu no emprego. Suara para tê-lo. Trabalhava como repositor de mercado: um oficio que exigia muita paciência e agilidade. Meses atrás estava desempregado com a mulher grávida. Quando parecia sufocar e pensava em se matar o mercado ao qual enviara um currículo liga, para contratá-lo.
Tudo bem que o salário não era o melhor de todos,contudo,dava para ir aos poucos abastecendo a casa e  ir comprando o enxoval da criança: uma menina como  ficara sabendo hoje ,quando Sandra lhe ligara ,na hora do almoço.
***
Desceu do ônibus. Armou o guarda-chuva e seguiu andando. O céu parecia estremecer quando um cara encapuzado aborda Souza, com revolver em punhos.
-PASSA A GRANA!
***
Não podia entregar o dinheiro,mas não havia alternativa.Ou era isso ou era: morte.Hesitou ao entregar o pacote ao bandido.Isso fora o suficiente para que ele puxasse o gatilho.
Um raio coriscou na direção dos dois,tudo ao seu redor estremecera. Antes de ir ao chão,Souza vira uma forte luz atingir o bandido.
O raio havia lhe atingido.
***
As nuvens junto com a chuva se recolheram, para a lua cheia gordíssima poder reluzir. Souza despertou encharcado,sem entender bem o que acontecera.Ergueu-se.Um cheiro de carne esturricada pairava no ar.Procurou do pacote  e o encontrara ao lado dum monte chamuscado.
Sorrira.
Se contasse a Sandra ela não iria acredita.
O Terceiro Raio: O Milagre de Igor.
-Mãe, quero morrer tomando banho de chuva. —disse Igor um garotinho de apenas oito anos,num estado terminal de tumor.
-Mas filho....— argumentara a mãe do menino.
-Eu quero mãe. Eu preciso. —respondeu ele resoluto.
Agata sabia que não resolveria em nada discutir com Igor. Conhecia bem o filho que tinha. E ela não queria desperdiçar os últimos minutos ao lado dele.
Se era aquilo queria, ela o realizaria.
***
Foram para cobertura do hospital. Agata segurava o corpo raquítico do filho com todo o medo do mundo de ele cair no chão e quebrar-se como se fosse feito de vidro. Ambos,em poucos minutos haviam se encharcado.
Igor era a mais pura euforia.
Sorria.
***
Com Igor ainda em seu colo Agata o girava, girava e gira. Sabia que aquele momento único jamais se repetiria.O abraçou com todo  o seu amor de mãe : o amava,mais do que tudo o amava.
Um raio coriscou o céu e em pouco tempo atingia Agata e seu filho.
***
-Mãe,mãe,mãe,mãe...—disse Igor sacolejando a mãe adormecida no chão. Havia para de chover. O céu estava completamente aberto e azul ,sem a presença de uma nuvenzinha sequer.
Agata acordou com uma dor horrenda de cabeça: o que havia acontecido?
A resposta viera assim que depositara os olhos em seu filho Igor em pé a sua frente. O menino fraco que antes não conseguia firmar o corpo nos pés,encontrava-se radiante  a sua frente.
-Mas ?

-Foi a chuva mamãe,foi a chuva!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano, 3- Aranhas Humanas


raffael petter contos
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Desde que saímos daquela ilhota em Fernando de Noronha estou trancado aqui neste quarto caiado de hospital. E não podia me mover: braços e pernas foram atados por cintos duros de couro a cama que estava deitado. Sentia-me num hospício. O pior de tudo é não lembrar como eu fora parar lá. Só sei que um belo dia de manhã – sabia que era manhã, pois a luz do dia infiltrava a persiana entreaberta- sou despertado pelo doutor Elias.
***
- Como você está se sentindo meu jovem?—perguntou um homem a minha frente de jaleco branco e que me perscrutando por detrás daquele óculo redondo, de lentes fundo de garrafa.
-Bem... —tentei mentir, no entanto, os olhos do velho médico não me permitiam. —Acho...
-Sente alguma dor?—disse arregalando os olhos. —Seja sincero...
Relutei. Sabia que contando a verdade não sairia dali tão cedo. Mas a dor atrás da minha coluna perto das costelas era algo insuportável para minha condição humana.
-Estou com uma dor na coluna...
- Normal. —falou como se eu tivesse espirrado por aspirar poeira. —É o efeito dos medicamentos.
-  O que eu tenho ? Doutor....—procurei pelo nome dele,no crachá espetado em seu jaleco: Elias.—Elias?
- Sim,Elias. É só uma virose muito violenta que você e sua amiga adquiriram por irem longe demais. Por irem, aquela parte de Noronha...
De repente, minha cabeça estala e meu coração incendeia: Clara também estava ali. Contudo, como ele sabia que tínhamos ido aquela parte da ilha? e como fomos parar naquele hospital? e quanto tempo estávamos nele? e haveria alguém em nossa busca?
Antes que pudesse obter respostas para tais perguntas, um alarme ecoa.Uma sirene,semelhante ao grito desesperado de uma mãe que acaba de parir e descobre que seu filho está morto.
Elias correu para o telefone fixado na parede:
-O que está acontecendo? CO-MO AS-SIM E-LA FU-GIU?—perguntou oscilando o humor.A cara plácida de antes ,dera o lugar a máscara decomposta de raiva.
- O que foi Elias?—pergunto após ele desligar.
-Nada. Não se preocupe tudo ficará bem, meu jovem rapaz. –respondeu tocando em meu ombro com uma nervosa leveza. —Tudo ficará bem.
***
-Vamos, falta pouco. Olha o aviãozinho....—disse Camille numa voz infantil,tentando com que eu comesse aquela comida ,papa.—Ok,chega por hoje ,então.
-Então, o que acontecera hoje?
-Não, posso contar. —disse ela recolhendo a bandeja com sobras e colocando no carrinho de alumínio.
-Por favor,Camille—disse segurando seu punho. Camille arrepiou-se, estremecendo de desejo. Sempre durante as refeições ela desamarrava as minhas mãos para que pudesse tomar suco. Mas isso viera depois de muita persistência e calma. Tive de ir conquistando-a aos poucos.
-Você não confia em mim ? Hein? Não confia?—questionei puxando-a para mais perto de mim. Os olhos puxados dela se comprimiram. Arfava, excitada. Umedecia-se.  A beijo.
***
Noite. Lua cheia. Suava frio. Costas coçavam e doíam num ritmo alucinante, infernal. Pego do espeto que Camille usava em seus cabelos negros e desamarro meu tornozelos.
Pronto. Estava livre.
Dou uma verificada nos batimentos cardíacos de Camille adormecida no chão. Após beijá-la a sufocara por tempo apenas suficiente para desmaiá-la. Sem matá-la. Peguei-a e a amarrei na cama. Procurei pelas chaves no bolso do jaleco. Abro a porta. Saio.
***
Precisava encontrar Clara. Seria difícil, pois dos dois lados daquele extenso e interminável corredor, havia portas com quadradinhos. Com cuidado, vou olhando um a um.
De súbito,um grito de mulher.
A voz era de Clara.
***
Paro bem em frente ao quarto de onde viera o grito. Pego a chave de Camille e a enfio na fechadura. Era uma chave mestra. Serviria em qualquer porta que eu quissesse,mas a única porta que queria abrir era aquela onde Clara estava.Giro a maçaneta e empurro a porta...
***
Fecho a porta atrás de mim.
Olho para o leito bagunçado: as amarras haviam sido rasgadas.
-Clara?É o...
No entanto, antes que terminasse de chamar pela Clara eu  a encontro trepada no teto do quarto. Aquela não era Clara. Aquilo que via não era humano. Era um hibrido entre o humano e o animal. Uma aranha no caso,que se alimentava...Se alimentava do doutor Elias,que estava branco como papel...
 A criatura parecia não me notar. Contenho um grito de pavor. Aquela era Clara, sim. Notara isso ao ver os fios de cabelo ruivos dela sacolejarem para lá e cá. Tombei de joelhos no chão. A dor me rasgava por inteiro agora... Minha cabeça fervia, parecia que ela a qualquer momento explodiria como se fosse uma melancia dentro de um micro-ondas. Meus punhos cerrados formavam nodoas no piso frio do quarto.  Minha pele começa a coçar: vou coçando-a,coçando-a,coçando-a numa tentativa falha de alivio.Coceira e dor: dor e coceira. Apenas duas palavras que me definiam naquela hora...
***
Estava no banheiro, da Clara. Havia deitado na banheira dela. O porre deve ter sido feio. Muito. Estava com uma dor de cabeça horrenda. Vou a pia: ligo a torneira,formo uma concha com as mãos e molho o rosto. O contato de minha pele água fez com ela ardesse e formigasse. Olho-me no espelho.
Apalpo meu rosto.
Aquele não podia ser o meu rosto, não, não, não podia.
Grito.
Meu rosto se deformara. Transformara-se em algo horrendo. Inumano. No lugar de minha cabeça,jazia a cabeça de uma aranha: quiliceras no lugar da boca e nariz;e vários olhos pequenos ,reluzentes como jabuticabas.

Soqueio o espelho, esmigalhando-o. Clara aproxima-se de mim. Também se transformara.Éramos aranhas humanas.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Terror do Cotidiano,2-Assassinas

minicontos de terror
Sangue,muito sangue.

Joana
Pegou do machado e meteu na virilha do motorista. Este imediatamente berrara. Sangue no rosto de Joana, um sorriso de canto de boca.

Patrícia
Tomara o machado da mão da amiga e pediu pra que essa segurasse os punhos do motorista. Recortou os braços dele. Jorros, jorros e mais jorros. Parecia uma fonte. Não mais o motorista vivia.

Ângela
Prendeu os cabelos num coque. Levou o machado aos céus e começara a fatiar o motorista como se fosse um salame. Vez ou outra, exigia mais força, pois o osso exigia ser quebrado. Mas não era problema. Estraçalharia. A cada machadada ela sentia um alívio um quase orgástico.

-Pronto.—disse ela sorrindo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Crônica de Saudade

fotos de cronicas de saudades


Arlinda observou Armando costurar o jardim. Observou este chegar até o portão pequeno e enferrujado.  Fitavam-se: ela da janela ele do portão. Aquele seria o último olhar dos dois. Uma lágrima desfolhou de Arlinda; Armando tentara sorrir alegre, mas só transparecia tristeza e saudades. Tentaram dizer como se amavam. Contudo, nada saía de suas bocas. As palavras ficavam mudas, engasgadas na garganta.
O tempo passara. E nada de noticias de Armando. Deveria ter se passado meses e até anos. Arlinda como qualquer pessoa acometida de saudades, não conseguia mais contar. Contar para ela era martelar a sentença de que ficaria mais um dia sem ver quem amava. Era morrer aos bocados a cada dia. Por isso, não contava mais.
Podia mandar cartas, mas ela não o fazia. Tinha medo de resposta. Podia ligar  também,contudo, também tinha medo.
 Mandara, certa vez, que a mãe ligasse no quartel para perguntar do marido, porém,antes que a velha perguntasse,puxou o telefone da mão dela colocando-o no gancho. Tinha medo do que ouviria.
O tempo fora passando novamente. E o coração de Arlinda cansado de sofrer, acamara a moça.
 -Mãe, antes de ir queria saber o que acontecera com Armando—implorava no hospital segurando a mão materna. Sabia que não duraria mais. Não queria durar mais na realidade. Queria morrer. Pode parecer estranho, mas quando se ama as coisas tomam proporções infinitamente maiores. O dramático se torna trágico. —Preciso saber se ele está vivo ou morto.
Já em seus últimos dias de vida, Arlinda num fiapo de voz, pergunta a  mãe:
-Então, o que é do meu marido?
A velha hesitara em contar. Parou, pensou por um momento. Respirou ,disse:
-Morrera combatendo.
No dia seguinte, no enterro de Arlinda, Armando aparece. Viera escondido. Deixara mulher e filhos num hotel da cidade.
-Por que ela não me escrevia? Não me telefonava?—perguntou ele a mãe de Arlinda num canto.
-Ela tinha medo de que você tivesse morrido.

-Eu não escrevia e não telefonava para ela, porque tinha medo que tivesse me esquecido de vez. — Isso era verdade, mas em nenhum momento o rapaz sofrera de saudades. Na verdade, no começo até tivera saudades. No entanto, com o tempo esta fora esmaecendo, até que fosse esquecida por completo. Até quando Armando sem sofrimento algum se casara e tivera filhos.

Terça-feira é dia de crônica.

Toda terça,vocês leitores,terão uma crônica fresquinha aqui no blog! ;)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mini contos e do conto que virou série:

Meus planos para A Hora do Horror ,era simplesmente dum conto longo com três ou quatro parte apenas. Mas certa leitora aí se empolgou tanto que decidi transformar numa série. Não  sei ainda quantas partes terá,acho que umas dez....
***
Estava pensando aqui e decidi que postarei uns mini contos,uns experimentos literários meus,para que o blog não fique muito tempo sem ser atualizado.Um por semana,não sei....Ou dois...
***
A Acumuladora 

Acumulava, pois me sentia vazia por dentro e por fora. Então para preencher tal vazio eu acumulava, revistas e cartas. Já era conhecida na vizinhança por passar em frente às casas, indo aos montes de lixos assentados nas calçadas, em busca de revistas e jornais de hoje e ontem.
Nenhum de meus vizinhos falava comigo, pois eu os evitava. Eram hipócritas. Falavam de mim pelas costas, afastavam-se de mim quando transitava na mesma calçada ou rua como se fosse uma espécie de diabo. As crianças  destes, crentes, no que os pais narravam sobre mim, fugiam terrificadas.Havia aquelas mais ousadas quais lançavam pedras em direção ao meu telhado ,vidro de minha janela.
Aquilo tudo só me aumentava o buraco que sentia em meu âmago.
Tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de...
Quanto mais o tempo passava, mais eu acumulava. Era como se um buraco negro existisse dentro de mim. Um poço sem fundo. Enquanto, atulhava minha casa com essas coisas, fingia que não notava que o espaço dela diminuía cada vez mais. A casa estava ficando inabitável, contudo, continuava vazia.
Certa noite, subo ao segundo andar de minha casa para por umas revistas que recém coletara.Desço e vou me deitar na sala: único lugar ainda habitável. Fecho os olhos e sinto o vazio percorrer todo o corpo. De repente, ouço um estalo fortíssimo vindo do alto e de súbito tudo torna-se escuro. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Hora do Horror- Parte Segunda

raffael petter
Gritei, contudo, consegui abafar a tempo o som com as mãos. Precisava me controlar. Passo pelos cadáveres descabeçados. Pego do telefone e ponho-o no ouvido.
E nada. Apenas silêncio do outro lado. Ele deve ter cortado a linha...
Droga.
Me agacho perto dos corpos sem cabeça e procuro nos bolsos de seus jalecos brancos e em suas calças.Vou apalpando até que encontro um celular , no bolso de um deles.
Discava: 1...9....
Preparava-me para discar o 0 quando, passos pesados aproximaram-se.Os passos dele... Rapidamente me escondo na reentrância do balcão.
Podia senti-lo perto, a respiração pesada e insana pronta para atacar. Foi então, o celular que estava em minha mão decide tocar:
OOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!
O pior de tudo é que eu apertava os botões e nada de ele desligar. Só desligou quando o joguei na parede a minha frente, espatifando-o.
A respiração do assassino, de súbito, parou. Desaparecera como se ele tivesse evaporado no ar.
 Não, ele não tinha evaporado.
A prova viva disso era que o braço dele estava descendo pela reentrância do balcão como se fosse uma cobra caçando sua vitima. Aquele braço maligno procurava pelo dono do celular. E por pouco, ele não me pega, se eu não tivesse me espremido contra a parede do balcão, estaria morta...
Porém, o que o impediu de me capturar fora outra coisa.
-EI O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AÍ?—gritou uma voz masculina. O meu desejo foi o de gritar, porém me contive. Se aquele psicopata soubesse que eu estava ali, há poucos metros de distância dele, estaria ferrada.
Fiquei calada só ouvindo o que acontecia.
-EI, CARA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ?—berrou novamente o homem.
Silêncio.
O psicopata não lhe respondia.
Passos pesados; o silêncio é quebrado.
 -PARE AÍ!PARE!!SE NÃO VOU ATIRAR...!!!—disse o homem que agora, eu sabia se tratar de um dos seguranças do hospital.
Os passos avançavam. Então, como havia prometido o guarda começa a atirar em direção do psicopata. Tive muita vontade gritar para ele que aquilo não funcionária, mas a vontade veio e passou, pois imediatamente meu extinto de sobrevivência agira dizendo para eu ficar de bico calado.
Os tiros atingiam em cheio a parede branca do hospital fazendo com que pedaços de reboco caíssem. De repente, os tiros cessaram. A munição da arma deveria ter acabado. Aquele ser do inferno não podia ser morto tão facilmente.
Ele era inexorável.
 Gatinhei um pouco para fora do balcão, virei no corredor mais próximo, mas não sem antes de vê-lo, o psicopata, erguer o guarda com apenas uma mão.
 Asfixiava-o.
Pude ainda ouvi-lo soltar grunhidos agonizantes, grunhidos de quem ia perdendo aos poucos a vida. Aquele monstro parecia uma criança amassando nas mãos uma indefesa borboleta.
Respirei fundo, fechei os olhos, retomei o fôlego e corri.
Tinha que encontrar alguém!Ele não poderia ter matado todos.
Vou passando por um corredor de portas amarelas quais pertenciam aos quartos dos pacientes. Cada qual possuía uma plaquinha retangular com determinada numeração.
Vou abrindo uma a uma.
Encontrava apenas leitos vazios sob a meia luz da lua que escorria pelas persianas. E mais nada. Nenhum sinal de pacientes.
Continuei a caminhar pelo longo corredor.
Para onde haviam ido os pacientes daquele hospital?
Ele teria os matado?
De repente, um frio correu toda a minha espinha. Aquilo não era um bom sinal.
Não isso seria humanamente impossível...
Mas ele não era humano...
Estava no final do corredor e faltava só mais uma porta para eu checar. Puxei a maçaneta da porta e dessa vez encontrei alguém em seu leito.
Entro no quarto e vou à direção do volume que se formava na cama.
--Alguém aí?—perguntei me aproximando da massa volumosa.
Sem resposta.
Um cadáver?

Antes que eu pudesse saber do que se tratava, sou atingida na cabeça por algo que me apaga imediatamente.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A Hora do Horror - Parte Primeira

raffael petter blog máscaras realistas de corujas
-Lamento... — foram as palavras da médica após anunciar que meus pais estavam mortos.
A partir daí, emoções em cascata me afetaram. Comecei a rir e depois a chorar. Não conseguia acreditar, mas logo que os segundos foram escoando dei de cara com o muro chamado realidade.
Sim, eles estavam mortos e eu sabia tão bem quanto a médica o que os matara.
Desabei no chão. Lágrimas quentes cortaram meu rosto gelado.
 Um enfermeiro de uniforme azul veio me amparar pondo-me sentada naquela cadeira desconfortável feita de plástico de hospital.
-Quer alguma coisa?-perguntou-me ele.
-Não- menti com a voz embargada.
Sim, queria.
Queria meu pai e minha mãe de volta, vivos....
***
 Aos poucos, o movimento do hospital foi se desacelerando. Enquanto, sentia o gosto salino das lágrimas deslizarem pelos meus lábios, vi pessoas sob macas sendo carregadas por enfermeiros apressados em salvar suas vidas.
Minutos antes, acompanhara meus pais... Segurava as mãos de ambos, quando partiram para sala de cirurgia. Tentei segui-los, porém a mesma médica que me dera noticia de sua morte havia me barrado...
Acho que estava desidratada, pois minha boca estava seca. Levanto e sigo em direção ao bebedouro que ficava num corredor antes da sala de cirurgia.
Havia pegado no sono? O hospital estava silencioso, vazio...
Algumas luzes haviam se pagado. Deixaram poucas acesas, talvez, por motivo de economia.
 Vou ao bebedouro, pego dum copo de plástico e o encho até o borco. Bebo toda a água de uma única vez.
Volto pro meu lugar, encostando dessa vez a cabeça na parede branca e fico a pensar no que faria de minha vida, uma vez órfã... Como seria daqui pra frente no dias dos pais e das mães?Sem ter alguém de confiança e de que você ame para desabafar coisas que nunca diria a outra pessoa.
Suspirei e deixei lágrimas rolarem.
Se não tivéssemos ficado naquela casa maldita...
Olhei para o curativo em formato de quadrado em meu braço direito. Sabia que depois de retirá-lo a cicatriz apareceria, ficando ali sob minha pele como uma tatuagem indesejável.
Se eu tivesse sido mais rápida, mais esperta, talvez ainda eles estivessem vivos, mas ele era muito forte...
Não sei ainda como consegui matá-lo.
Evitava fechar os olhos, pois  o veria em minha frente. Era o tipo de imagem que se poderia chamar de indelével, inapagável.
De repente, me bateu a vontade fazer xixi. O corpo, enfim, havia se lembrando de que tinha bexiga e que agora não mais corria perigo.
***
Vou andando pelos corredores caiados e insípidos daquele hospital em busca de alguém, que pudesse me indicar o banheiro, porém não encontro ninguém que pudesse me ajudar.
Tive de encontrá-lo por si só. Ficava na ala norte do hospital (isso se meu instinto de direção estivesse correto). Antes de sair do banheiro dou uma mirada no espelho dele para ver em que estado me encontrava.
Pior impossível.
Meus cabelos curtos e pretos haviam perdido o brilho. Meu rosto parecia um pouco mais magro quase cadavérico com alguns lanhos na parte superior e inferior das bochechas, meus olhos estavam inchados de tanto chorar e de ficar acordada por tanto tempo.
Em suma, estava um caco.
Preparava-me para deixar o banheiro, quando ouço um grito gutural de mulher. Próximo.
No mesmo instante o meu coração começou a pulsar enlouquecidamente. Seria possível?
Não, não seria.
Eu o havia visto morrer!Devo ter ouvido demais...
Giro a maçaneta e ouço o mesmo grito só que dessa vez um pouco mais baixo só que com a mesma dor plangente na voz do que o outro.
Não... Aquele desgraçado não poderia ter sobrevivido, não mesmo!
Seguro a maçaneta com a mão direita esperando por outro grito. Esperei por uns minutos, só que ele não viera.
Invés de gritos ouço, uma voz de mulher desesperada, já avizinhado a porta.
-Por favor, não me mate!!!—implorava ela. — SOCORRRO!!!
A voz toda dela estava desfeita em dor e agonia.
Era ele...
Mas como...
A maçaneta, de súbito começa girar. Largo ela imediatamente e me escondo atrás da porta. Prendo minha respiração e tento abafar de alguma forma como se ele pudesse ouvi-lo, meu coração.
E num rompante, ele entra segurando pelos cabelos loiros uma enfermeira que se sacudia como um gato preso num saco, numa inútil tentativa de fuga.
Então, ele havia sobrevivido...
Ponho minhas mãos na boca para silenciar o grito que dela queria sair. Um grito de ódio e medo.
Precisava sair dali e procurar por ajuda o quanto antes. Antes que ele...
E antes que eu pudesse sair do banheiro presencio uma atrocidade: ele a ergue com apenas uma das mãos e começa bater a cabeça dela no espelho do banheiro...
Ela gritava; ele batia. Ela gritava; ele batia. Ela gritava; ele batia...
Os gritos de dor que ela soltava eram impossíveis de se descrever. Meu estômago embrulhou e por pouco não vomitei. Contudo, me segurei. Aproveitei o barulho dos cacos de vidros se partindo sobre a pia e no chão para fugir.
Meus passos ecoavam pelo corredor, numa corrida desesperada pela vida.
Vou à recepção do hospital e dou de cara com uma das cenas mais chocantes da minha vida: corpos sem cabeça; corpos sem cabeça afogados em poças de sangue. Jaziam no chão, perto do telefone...


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Blog Diário.

Querido diário....
Não,não decidi fazer deste blog um diário confessional.É que agora leitores queridos,vocês terão postagens todos dias ou quase,pois o escritor que vos escreve, folga aos sábados e  domingos! Até amanhã! :)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

10,000 ACESSOS!

Puta que o pariu,puta que o pariu! 10,000 mil acessos! Obrigado mesmo ! MUITO OBRIGADO!Não esperava que o blog chegasse a tanto!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Qual música vocês estão ouvindo?

Olá,galera!
Queria saber qual o som que vocês estão ouvindo ou aquela música que não desgruda da sua cabeça!Pode dizer nos comentários! :)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

REFORMAS

Este blog estará passando por reformas. Renovação. E a continuação de  A Hora dos Lobos.