sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Terror do Cotidiano,2-Assassinas

minicontos de terror
Sangue,muito sangue.

Joana
Pegou do machado e meteu na virilha do motorista. Este imediatamente berrara. Sangue no rosto de Joana, um sorriso de canto de boca.

Patrícia
Tomara o machado da mão da amiga e pediu pra que essa segurasse os punhos do motorista. Recortou os braços dele. Jorros, jorros e mais jorros. Parecia uma fonte. Não mais o motorista vivia.

Ângela
Prendeu os cabelos num coque. Levou o machado aos céus e começara a fatiar o motorista como se fosse um salame. Vez ou outra, exigia mais força, pois o osso exigia ser quebrado. Mas não era problema. Estraçalharia. A cada machadada ela sentia um alívio um quase orgástico.

-Pronto.—disse ela sorrindo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Crônica de Saudade

fotos de cronicas de saudades


Arlinda observou Armando costurar o jardim. Observou este chegar até o portão pequeno e enferrujado.  Fitavam-se: ela da janela ele do portão. Aquele seria o último olhar dos dois. Uma lágrima desfolhou de Arlinda; Armando tentara sorrir alegre, mas só transparecia tristeza e saudades. Tentaram dizer como se amavam. Contudo, nada saía de suas bocas. As palavras ficavam mudas, engasgadas na garganta.
O tempo passara. E nada de noticias de Armando. Deveria ter se passado meses e até anos. Arlinda como qualquer pessoa acometida de saudades, não conseguia mais contar. Contar para ela era martelar a sentença de que ficaria mais um dia sem ver quem amava. Era morrer aos bocados a cada dia. Por isso, não contava mais.
Podia mandar cartas, mas ela não o fazia. Tinha medo de resposta. Podia ligar  também,contudo, também tinha medo.
 Mandara, certa vez, que a mãe ligasse no quartel para perguntar do marido, porém,antes que a velha perguntasse,puxou o telefone da mão dela colocando-o no gancho. Tinha medo do que ouviria.
O tempo fora passando novamente. E o coração de Arlinda cansado de sofrer, acamara a moça.
 -Mãe, antes de ir queria saber o que acontecera com Armando—implorava no hospital segurando a mão materna. Sabia que não duraria mais. Não queria durar mais na realidade. Queria morrer. Pode parecer estranho, mas quando se ama as coisas tomam proporções infinitamente maiores. O dramático se torna trágico. —Preciso saber se ele está vivo ou morto.
Já em seus últimos dias de vida, Arlinda num fiapo de voz, pergunta a  mãe:
-Então, o que é do meu marido?
A velha hesitara em contar. Parou, pensou por um momento. Respirou ,disse:
-Morrera combatendo.
No dia seguinte, no enterro de Arlinda, Armando aparece. Viera escondido. Deixara mulher e filhos num hotel da cidade.
-Por que ela não me escrevia? Não me telefonava?—perguntou ele a mãe de Arlinda num canto.
-Ela tinha medo de que você tivesse morrido.

-Eu não escrevia e não telefonava para ela, porque tinha medo que tivesse me esquecido de vez. — Isso era verdade, mas em nenhum momento o rapaz sofrera de saudades. Na verdade, no começo até tivera saudades. No entanto, com o tempo esta fora esmaecendo, até que fosse esquecida por completo. Até quando Armando sem sofrimento algum se casara e tivera filhos.

Terça-feira é dia de crônica.

Toda terça,vocês leitores,terão uma crônica fresquinha aqui no blog! ;)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mini contos e do conto que virou série:

Meus planos para A Hora do Horror ,era simplesmente dum conto longo com três ou quatro parte apenas. Mas certa leitora aí se empolgou tanto que decidi transformar numa série. Não  sei ainda quantas partes terá,acho que umas dez....
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Estava pensando aqui e decidi que postarei uns mini contos,uns experimentos literários meus,para que o blog não fique muito tempo sem ser atualizado.Um por semana,não sei....Ou dois...
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A Acumuladora 

Acumulava, pois me sentia vazia por dentro e por fora. Então para preencher tal vazio eu acumulava, revistas e cartas. Já era conhecida na vizinhança por passar em frente às casas, indo aos montes de lixos assentados nas calçadas, em busca de revistas e jornais de hoje e ontem.
Nenhum de meus vizinhos falava comigo, pois eu os evitava. Eram hipócritas. Falavam de mim pelas costas, afastavam-se de mim quando transitava na mesma calçada ou rua como se fosse uma espécie de diabo. As crianças  destes, crentes, no que os pais narravam sobre mim, fugiam terrificadas.Havia aquelas mais ousadas quais lançavam pedras em direção ao meu telhado ,vidro de minha janela.
Aquilo tudo só me aumentava o buraco que sentia em meu âmago.
Tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de acumular, tinha de...
Quanto mais o tempo passava, mais eu acumulava. Era como se um buraco negro existisse dentro de mim. Um poço sem fundo. Enquanto, atulhava minha casa com essas coisas, fingia que não notava que o espaço dela diminuía cada vez mais. A casa estava ficando inabitável, contudo, continuava vazia.
Certa noite, subo ao segundo andar de minha casa para por umas revistas que recém coletara.Desço e vou me deitar na sala: único lugar ainda habitável. Fecho os olhos e sinto o vazio percorrer todo o corpo. De repente, ouço um estalo fortíssimo vindo do alto e de súbito tudo torna-se escuro.