terça-feira, 4 de novembro de 2014

Terror do Cotidiano, 3- Aranhas Humanas


raffael petter contos
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Desde que saímos daquela ilhota em Fernando de Noronha estou trancado aqui neste quarto caiado de hospital. E não podia me mover: braços e pernas foram atados por cintos duros de couro a cama que estava deitado. Sentia-me num hospício. O pior de tudo é não lembrar como eu fora parar lá. Só sei que um belo dia de manhã – sabia que era manhã, pois a luz do dia infiltrava a persiana entreaberta- sou despertado pelo doutor Elias.
***
- Como você está se sentindo meu jovem?—perguntou um homem a minha frente de jaleco branco e que me perscrutando por detrás daquele óculo redondo, de lentes fundo de garrafa.
-Bem... —tentei mentir, no entanto, os olhos do velho médico não me permitiam. —Acho...
-Sente alguma dor?—disse arregalando os olhos. —Seja sincero...
Relutei. Sabia que contando a verdade não sairia dali tão cedo. Mas a dor atrás da minha coluna perto das costelas era algo insuportável para minha condição humana.
-Estou com uma dor na coluna...
- Normal. —falou como se eu tivesse espirrado por aspirar poeira. —É o efeito dos medicamentos.
-  O que eu tenho ? Doutor....—procurei pelo nome dele,no crachá espetado em seu jaleco: Elias.—Elias?
- Sim,Elias. É só uma virose muito violenta que você e sua amiga adquiriram por irem longe demais. Por irem, aquela parte de Noronha...
De repente, minha cabeça estala e meu coração incendeia: Clara também estava ali. Contudo, como ele sabia que tínhamos ido aquela parte da ilha? e como fomos parar naquele hospital? e quanto tempo estávamos nele? e haveria alguém em nossa busca?
Antes que pudesse obter respostas para tais perguntas, um alarme ecoa.Uma sirene,semelhante ao grito desesperado de uma mãe que acaba de parir e descobre que seu filho está morto.
Elias correu para o telefone fixado na parede:
-O que está acontecendo? CO-MO AS-SIM E-LA FU-GIU?—perguntou oscilando o humor.A cara plácida de antes ,dera o lugar a máscara decomposta de raiva.
- O que foi Elias?—pergunto após ele desligar.
-Nada. Não se preocupe tudo ficará bem, meu jovem rapaz. –respondeu tocando em meu ombro com uma nervosa leveza. —Tudo ficará bem.
***
-Vamos, falta pouco. Olha o aviãozinho....—disse Camille numa voz infantil,tentando com que eu comesse aquela comida ,papa.—Ok,chega por hoje ,então.
-Então, o que acontecera hoje?
-Não, posso contar. —disse ela recolhendo a bandeja com sobras e colocando no carrinho de alumínio.
-Por favor,Camille—disse segurando seu punho. Camille arrepiou-se, estremecendo de desejo. Sempre durante as refeições ela desamarrava as minhas mãos para que pudesse tomar suco. Mas isso viera depois de muita persistência e calma. Tive de ir conquistando-a aos poucos.
-Você não confia em mim ? Hein? Não confia?—questionei puxando-a para mais perto de mim. Os olhos puxados dela se comprimiram. Arfava, excitada. Umedecia-se.  A beijo.
***
Noite. Lua cheia. Suava frio. Costas coçavam e doíam num ritmo alucinante, infernal. Pego do espeto que Camille usava em seus cabelos negros e desamarro meu tornozelos.
Pronto. Estava livre.
Dou uma verificada nos batimentos cardíacos de Camille adormecida no chão. Após beijá-la a sufocara por tempo apenas suficiente para desmaiá-la. Sem matá-la. Peguei-a e a amarrei na cama. Procurei pelas chaves no bolso do jaleco. Abro a porta. Saio.
***
Precisava encontrar Clara. Seria difícil, pois dos dois lados daquele extenso e interminável corredor, havia portas com quadradinhos. Com cuidado, vou olhando um a um.
De súbito,um grito de mulher.
A voz era de Clara.
***
Paro bem em frente ao quarto de onde viera o grito. Pego a chave de Camille e a enfio na fechadura. Era uma chave mestra. Serviria em qualquer porta que eu quissesse,mas a única porta que queria abrir era aquela onde Clara estava.Giro a maçaneta e empurro a porta...
***
Fecho a porta atrás de mim.
Olho para o leito bagunçado: as amarras haviam sido rasgadas.
-Clara?É o...
No entanto, antes que terminasse de chamar pela Clara eu  a encontro trepada no teto do quarto. Aquela não era Clara. Aquilo que via não era humano. Era um hibrido entre o humano e o animal. Uma aranha no caso,que se alimentava...Se alimentava do doutor Elias,que estava branco como papel...
 A criatura parecia não me notar. Contenho um grito de pavor. Aquela era Clara, sim. Notara isso ao ver os fios de cabelo ruivos dela sacolejarem para lá e cá. Tombei de joelhos no chão. A dor me rasgava por inteiro agora... Minha cabeça fervia, parecia que ela a qualquer momento explodiria como se fosse uma melancia dentro de um micro-ondas. Meus punhos cerrados formavam nodoas no piso frio do quarto.  Minha pele começa a coçar: vou coçando-a,coçando-a,coçando-a numa tentativa falha de alivio.Coceira e dor: dor e coceira. Apenas duas palavras que me definiam naquela hora...
***
Estava no banheiro, da Clara. Havia deitado na banheira dela. O porre deve ter sido feio. Muito. Estava com uma dor de cabeça horrenda. Vou a pia: ligo a torneira,formo uma concha com as mãos e molho o rosto. O contato de minha pele água fez com ela ardesse e formigasse. Olho-me no espelho.
Apalpo meu rosto.
Aquele não podia ser o meu rosto, não, não, não podia.
Grito.
Meu rosto se deformara. Transformara-se em algo horrendo. Inumano. No lugar de minha cabeça,jazia a cabeça de uma aranha: quiliceras no lugar da boca e nariz;e vários olhos pequenos ,reluzentes como jabuticabas.

Soqueio o espelho, esmigalhando-o. Clara aproxima-se de mim. Também se transformara.Éramos aranhas humanas.

Um comentário:

  1. EIIIIIIITA PEGA!!!!!!! ME CAGANDO AQUI. CARA COM TU PODE FAZER OUTRA HISTÓRIA PERFEITA DESSAAAAAA!!!! ME DE A POÇÃO QUE TU FAZ PRA DEIXAR ELAS TÃO PERFEITASSSS ASSIIM!!!!
    de sua Fã um beijo.

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