quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O espelho de mão (Parte Segunda)

contos com espelho
 
 

Via meu reflexo naquele pedaço de vidro polido e emoldurado. Não conseguia acreditar nisso! Eu aqui, deitada em minha cama, empunhando um espelho dado, por uma velha completamente desnorteada, pretendendo fazer um desejo. O que o desespero não faz com as pessoas. Mas eu precisava tentar. Se desse certo, beleza!Se não, azar.
Teria que arcar com as conseqüências. Que muito provavelmente não seriam nada leves. Suspiro. Vida de adolescente é nada fácil. Sabia que aquilo era uma completa loucura, contudo, eu tinha que tentar.
Encaro a minha gêmea do outro lado espelho, e peço:
--Espelho... —estaco, por vergonha. Aquilo parecia ser muito idiota. Porém tinha que tentar salvar o meu boletim hemorrágico. -- Desejo que as notas vermelhas que tenho em meu boletim transformem-se em notas boas, melhores...
Ao dizer isso algo de muito impressionante acontece: as pedras da haste do espelho começam a reluzir fortemente. Como se de certa forma houvessem adquirido vida. Olho os desenhos que ali foram cinzelados. Passo o indicador por sobre os relevos das figuras, sobre tudo a de um sátiro e... Ai! Perfuro meu dedo ao encostar  no chifre da figura.
Imediatamente, num reflexo inconsciente, levo o dedo à boca na tentativa desesperada de estancar o sangue. Argh! Que gosto horrível. Gosto era de ferrugem! Preocupada, pego do espelho e verifico se não está com alguma parte com ferrugem. Felizmente, não estava. Apesar da boa notícia, algo me chama a atenção. É que as pedras que antes luziam vivamente, agora estavam frias e apagadas. Completamente sem vida. Manuseio-o bastão do espelho em busca do maldito ferrão que furara meu dedo. Não o encontro.
Uma coisa que a velha tresloucar não falara pé que quanto tempo demora a um desejo ser realizado...
Nesse momento ouço passos subindo a escada. Quem poderia ser?Papai e mãe haviam saído. Neide a nossa empregada folgara e Beto meu irmão chegaria lá pelas seis horas da tarde. Então quem era? O único modo de eu saber era abrindo a porta... Sou corajosa, não tenho medo!
Não tenho medo?Na verdade um pouco... Vai se fosse um ladrão... Ah! Isso é impraticável num condomínio onde a vigilância é realizada, vinte e quatro hora por dia. Decido abrir a porta (nesse momento minhas pernas tremelicavam feitas varas verdes) torço a maçaneta e... Tento gritar mais alguém tapa minha boca.
                                                  ***
--Há, há,há... —ria meu namorado. —Você precisava ver a sua cara Su... Parecia ter visto um fantasma.
Tá não era bem um fantasma e sim o cretino e bobo alegre de meu namorado. Que raivaaaa! Ele havia me pregado um susto. Como não tinha pensado nisso antes.
-- O que você esta fazendo aqui? Não era pra você estar no curso de inglês?— pergunto já enraivecida. Acho que ele percebeu e parou de rir.
-- O professor faltou então por isso não houve aula. E quis fazer uma surpresa pra você...
Estávamos no meu quarto. O espelho estava ainda estava em cima da minha cama e ele curioso como só me pergunta:
-- É seu?—assento a cabeça. De quem mais poderia ser. Ele pega no espelho.
-- Que legal... Parece um daqueles espelhos do tempo da realeza...
-- Sim, parece mesmo... Fora uma velha mendiga louca quem me dera-o.
Ele me olha com uma interrogação na cara.
-- Sério... é mais pura verdade.Estava voltando da escola quando ela me ...
Contei toda a história pra ele, omitindo a parte dos desejos claro.
-- Hehehe... Vamos ao cinema hoje?
Digo sim?Digo não?  Eis a questão. Anuiu-o a cabeça. E beijo-o.
                                                    ***
O cinema, ontem, com Fabrizio ontem fora muito bom. Assistimos ao filme inteiro agarradinhos. O dia hoje estava uma maravilha. Bom quase. Se não fosse o dia da reunião dos pais e a entrega do boletim. Mamãe não havia ido à primeira reunião do ano e com isso não queria deixar de ir nesta. E pra ela meu boletim estava plenamente saudável, sem risco de morrer de hemorragia. E devido à expectativa, estou aqui deitada, em minha cama roendo nervosamente as unhas dos dedos. Procuro o espelho debaixo da cama. O pego e fico a olhar ele. Estaria ferrada ou salva?
Foi quando a porta do meu quarto abre. Era mamãe com um cenho duro, inflexível. Boa coisa não era. Sempre quando franzia o cenho era porque algo estava de errado.
-- Suzanne preciso falar com você....
-- Pode falar mamãe... —digo voz quase sumindo já esperando pelo pior.  -- Eu e seu pai lhe esperaremos lá, na sala...
Droga...
Boa coisa não era. Seria exilada do convívio social de minha família? Seria encerrada num monastério onde monges não falam e ficam imóveis naquelas posições como replicas do Buda gordo? Não seria bem pior... 




 

O espelho de mão (Parte Primeira)


contos de terror com espelho




Tudo começou quando voltava da escola. O céu estava límpido anilíssimo com um sol fervoroso que estalava por sob os telhados das casas. E fora, justamente, nesse dia em que eu, Suzanne, havia levado bomba na prova de matemática, cuja qual, valeria metade da nota do bimestre. Relevaria se não fosse pelo fato de ser o segundo bimestre em que levo notas vermelhas no boletim. Pois também existiam as notas de: geografia, história e português.
E o pior de tudo seria o castigo que viria pelos os meus pais: um mês (pelo menos) sem cartão de crédito, celular e internet. Drogaaa!!Eu devia ter estudado. Contudo, não choraria pelo leite derramado. Eu tinha que enfrentar os coroas como uma verdadeira mulher!Mulher que não sou (tenho 16 anos apenas) então basicamente não sou adulta, né?
Faltavam poucas quadras, pra eu chegar a casa. Casa que na verdade era um condomínio. Quando uma velha surge em meu, caminho e diz-me:
-- Olá, olá... Querida você é muito linda—disse-me a desconhecida. Que falava coisas meio sem nexo.
Nesta, ocasião eu teria passado direto, sem percebê-la, fingindo ignorá-la. Bom se não fosse pelos olhos que ela possuía. Sim, aqueles olhos castanhos escuros que continham pequenos traços verdes como jade. Não sei o que me dera. Era como seu fosse um rato hipnotizado e ela uma serpente encantadora. Não, conseguia sair dali, de forma alguma.
Depois de certo tempo de silêncio e troca de análises ela me pergunta:
-- Como vai querida...?—foram as palavras soltas por aqueles lábios murchos. Aliás, todo o contexto daquela pobre criatura era murcho. Se fosse classificá-la em uma espécie diria, que é um hibrido de bruxa da branca de neve com um lagarto. Pois: tinha verrugas sarapintando o seu rosto, buço e um narigão de ave de rapina.
E respondo meio hesitante:
-- Vou bem... E a senhora?—pergunto falsamente, fingindo interesse.
-- Melhor agora que encontrei um a moça tão bela quanto você... – Ao dizer isso, a velha senhora, tenta tocarem minha pele com aquela mão toda rugosa. Abruptamente afasto-me.
Eca!Que nojo! Aquelas mãos pareciam garras de falcão. Rugosa e maculada. A bruxa velha fica ame encarar, com um sorriso de canto de boca.
Para tentar encobrir aquele ato impensado, digo:
--Tenho de ir... —mas tinha que ir mesmo. Eram quase uma e meia.
-- Não espere! Só um minuto... — disse mexendo em sua bolsa de couro mais puída do que a dona. A bolsa era grande e feita de couro cru preto. E de repente ela saca de lá algo. —Quero lhe dar este espelho... Um espelho de mão mágico, cujo qual atenderá três desejos seus. Basta dizer a ele o que quer e ele lhe dará.
Estendia-me o objeto. O pego. O espelho parecia à primeira vista, feito de ouro puro. Ouro puríssimo. Essa senhora de estar meio tantã da cabeça. Ou podia ser uma ladra...
E com educação tento recusar:
-- Obrigada. Mas não tenho como pagar por ele.
--Não se importe é um presente a uma mulher bela como você. E, além disso, eu não preciso de seu dinheiro. —respondeu-me com sorriso petulante. Depois disso não insisti mais. Se ela quis me dar não tive culpa.
Examino novamente o espelho. Valeria pelo menos uns duzentos reais ou muito mais na casa de penhor. Nele havia entalhado: faunos, e fadas dançando ao redor. Nos olhos destas criaturas eram incrustados de pequenas pedras: azuis, vermelhas, roxas e verdes. Ia perguntar pra ela aonde o encontrara, contudo ela não estava mais lá.
Evaporara-se como fumaça. De repente: Plim! Sumiu. Que estranho. Dou sorrisinho e retomo minha caminhada.
                                  ***
Ainda bem que escapei de interrogatórios. Não havia ninguém em casa papai e mamãe havia ido ao mercado. Subo as escadas ligeiramente que dão em meu quarto ligo o computador e vou logo ao face ver os convites que recebi.
Uau!Quantos gatos. Pena eu estar namorando o Fabrizio, mas eu o amava.
                                  ***
Precisa fazer alguma coisa! Não podia deixar meus pais descobrirem que eu havia tirado notas vermelhas. Olho pro espelho em cima de minha cama. Rio. Isso era impossível.
Mas... Será que o que aquela velha doida disse era mesmo verdade? Se funcionasse eu poderia usar algum de meus desejos para poder recuperar aquelas minhas notas hemorrágicas...
Como a rir novamente. Como sou tola. Isso é completamente impraticável... Será? Continuo a olhar o espelho.

CONTINUA...









Sorryyyyyyyyyyyyyyy

Caros leitores do blog ,
o motivo pelo qual de eu não ter postado,ontem, fora culpa da Vivo/Telefônica/Merda.Sim culpa da operadora , pois fiquei o dia todo sem os serviços de telefone e internet. 
Contudo vou recompensá-los por  ontem. Farei duas postagens que vai ao no decorrer do dia.

Mais uma vez Sorryyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Sabá das Bruxas

O Sabá das bruxas




Uma vez a cada cem anos, as bruxas de todas as partes do mundo se reúnem para o Sabá.

-- Olá, Dora. Como tem passado? –disse a bruxa anelados cor de abóbora. Cumprimentava uma bruxa de rosto oval de cabelos pretos, lisos e gordurosos.
-- Vou bem, Melissa. O que você acha que vai ter de bom este século, Mel?
-- Penso que será uma festa maior e melhor do que aquela do século passado sabe?
-- Infelizmente, não pude vir... Teve o que de bom?—pergunta Dora, que não viera, pois tivera de cuidar de sua filha que adoecera. Havia contraído sarampo bem na véspera do Sabá.
-- No século passado fora o de sempre. Renovamos nossos votos com nossas varinhas mágicas. Bebemos um pouco de ambrósia, apostamos corridas de vassoura e por fim fizemos a oferenda.
--O que fora a oferenda?
-- Ah... Foi um cordeiro ladeado de por folhas e flores com aromas adocicados, sabe...? Rosas brancas, rosas roxas e dentre outras...
As bruxas conversavam montadas em cima de suas vassouras. O dia começava a descambar lá no horizonte, deixando o céu cor de laranja. Havia várias outras bruxas atrás de Dora e Melissa. Contabilizavam-se pelo menos, umas mil. Entre bruxas e feiticeiras. Tá vocês devem estar se perguntando qual a diferença entre bruxas e feiticeiras. Bom isso é muito fácil de ser explicado. Feiticeiras são bruxas de faculdades mágicas incompletas, isto é, o seu potencial mágico ainda não fora plenamente alcançado. É como se ela ainda estivesse em treino.
Já as bruxas têm suas faculdades mágicas totalmente completas. E é no dia do Sabá, que as bruxas como se formassem. Deixando de serem meras sibilas para se tornarem uma bruxa plena.
--Oi... é.. desculpe interromper moça...—dizia , timidamente,uma garota a Melissa— Aonde é que temos de ir...?
A moça parecia ter seus vinte anos. Era ruiva como sangue. Tinha olhos castanhos cor de madeira e sardas no rosto. Sorria patentemente para Melissa que lhe diz:
-- Bom está vendo aquela luz roxa, bem lá no centro do horizonte?— indicava a bruxa experiente. —Então, é pra lá, que temos que ir... Aquela luz na verdade é uma estrela de David, só nós bruxas ou feiticeiras enxergamos, pois nos serve de guia. Os humanos comuns não a enxergam e muito menos a nós.
-- Ah, tá... Brigada, então. —disse a menina com ares de que havia descobrido algo que sempre esteve em sua cara o tempo todo.
-- Ela deve ser novata, não?—diz Dora quando a bruxa de cabelos ruivos afastara-se de Melissa.
-- Muito provavelmente... Antigamente era muito pior... Não havia aquela estrela nos guiando... Tínhamos de encontrar o caminho por si só. Sem auxílio. Hoje em dia a juventude tem tudo muito mastigado.
-- Há quanto tempo você freqüenta o dia Sabático? – pergunta Dora interessada.
-- Bom, se eu estiver certa pelos menos uns cinco séculos em seguida. Obviamente descontando os outros em que eu era apenas uma simples feiticeira.
Melissa estava na casa dos quarenta. Margeava já, aos cinqüenta. Tinha uma beleza madura. Lábios finos e vermelhos e pele sardenta.
Enquanto Dora ainda estava na metade dos trinta. Podia-se dizer que era bonita. Tinha sombracelhas grossas e arqueadas que lhe atribuíam uma beleza selvagem, quase amazônica.
As duas haviam se conhecido há dois séculos mais ou menos. E desde então se tornaram amigas inseparáveis, já ambas moravam no Brasil e no mesmo estado. São Paulo.
O Sabá daquele século seria no Rio grande do Sul. Estado apropriadíssimo devido ao seu clima ameno.
-- Estamos se aproximando... Melhor a gente da uma guinada em nossas vassouras... —avisa Dora.
O sol já havia se derretido no horizonte. O firmamento estava negro salpicado de estrelas reluzentes. Contudo, não tão reluzente quanto aquela estrela de David que com o pôr - do- sol começa a rebrilhar com maior intensidade como se fosse um farol.
                               ***
As bruxas aportavam com suas vassouras em uma clareira, onde queimava em seu centro uma imensa fogueira de chamas das mais variadas cores—verdes, azuis, amarelas, roxas...
--Enfim, chegamos... —pronuncia-se Dora. Melissa estava a seu lado.
-- Caramba!Isto aqui está uma beleza...
Realmente, o lugar estava uma beleza. Um grande caldeirão feito de ouro ardia numa fogueira um pouco menor do que aquela das labaredas multicolores. Havia borboletas prateadas volitantes, corvos com penas de esmeralda, rubi e ametista empoleirados, expectantes nos galhos das árvores. Quando s e olhava diretamente para a abóboda celeste era possível ver camas fabricadas de teias de aranhas luzirem como se fossem fios tênues de prata.
-- Neste ano eles se superaram. —fala Dora exultante.
-- Sem sombras de dúvidas...
-- É melhor, nós nos aproximamos do caldeirão, pois já será dado início ao ritual de renovação dos votos das varinhas...
As duas bruxas foram umas das primeiras a chegarem à fila indiana quilométrica. Fila cuja essa, rodeava em caracol pela clareira.
                                ***
Pronto.
Chegara à vez de Dora. Pega a sua varinha feita de jambo. Escuríssima, com desenhos de faunos entalhados nela e joga-a no enorme caldeirão. Para tal as bruxas tinham de ir voando em suas vassouras. Daquele ritual só participavam mesmo as bruxas plenas.
As feiticeiras iriam participar de outro ritual. Que lhes descreverei a seguir.
Logo após de todas as bruxas depositarem suas varinhas no caldeirão eis que esse é incendiado. Lembra-se, daquela fogueira de centelhas coloridas? Esta se transforma num verdadeiro furacão de fogo que ao chegarão caldeirão derrete-o. E o mais legal de tudo é que após de o caldeirão derreter e o furacão de chamas de se extinto as varinhas retornam as mão estendidas de suas donas.
                                    ***
O ritual de iniciação baseava-se num banho em que elas receberiam nuas, um preparado de mel com pétalas de flores e ervas secretas. Tudo no Sabá era executado por bruxas senis.
Experientes.
Depois disso, suas varinhas eram consumidas num caldeirão de prata menor do que aquele, para depois elas retornarem a posse de suas donas.
E logo após a estas maratonas de rituais as bruxas comemoram bebendo ambrósia. Um suco de textura como mel, doce como o açúcar e muitíssimo inebriante.


O Sabá das bruxas
Ao final de tudo joga-se na fogueira um cordeiro totalmente preparado em ervas e flores que em contato com as chamas depreendiam no ar agradáveis cheiros. E assim iniciava-se o voo de retorno das bruxas. Pronto. Aí, podia-se dar como encerrado o Sabá das bruxas.


Gostou do conto? DEIXE O SEU COMETÁRIO ,ENTÃO<3

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aviso rápido...



Não postarei muito, pois trovões ameaçam a queimar meu computer...Então amanhã compensarei o curto post de hoje...


Desde já,


                   R.Peter!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Aos leitores do blog...

Caros leitores,


                        
                           Venho por meio desta... Ah! Corta essa! Quero dizer a você que frequenta este blog entregue as moscas, para vocês comentarem.Isso detonem o blog. Digam o que você pensam dele, xingue-o. Ou elogio-o também.E é por isso que escrevo aqui! Quero saber a opinião de VoCêS!
                                Preciso do calor ou frio de  seus comentários!




                      Desde já,



                                        R.Peter.

   

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A lenda verdadeira da Bruxa de Salém!

AS BRUXAS DE SALEM - A HISTÓRIA REAL





    “É uma certeza que o demônio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas.”

                                   Rev. John Richards, século XV




Estávamos no vilarejo de Salem em Massachusetts. O ano era 1692. Ano que se tornara inesquecível para mim e para todos os habitantes do lugar. Infelizmente, eu assistira tudo. Vi minha filha sendo seduzida pelo... Pelo... Bom... Contarei como a história  se sucedera.
Tudo se iniciara num sábado à tarde quando Abigail minha filha, acompanhada de algumas amigas, fora à casa de Tituba, para ouvir estórias narradas por essa escrava. Elas se deleitavam, ao ouvir, aquelas fantasiosas lendas africanas contadas por aquela negra.
Até que naquela noite de lua cheia, encontro Abigail, agachada de cócoras no chão. Estava de costas para mim. Chamo por ela, mas ela não parecia me ouvir, pois parecia estar num outro lugar. Chamo-a novamente. Desta vez, me atendendo vira-se para mim. Céus! Quando rememoro esta cena, tenho vontade de me sufocar até que todo o ar deixe meus pulmões. Minha filha Abigail estava plenamente transformada. Deixara aquela sua doçura e candura, cativantes dos seus onze anos, para dar lugar a uma hostilidade animalesca. Ela rangia os dentes como uma roedora faminta, rosnava como um cão ensandecido, revirava os olhos alienadamente. Aquela não podia ser a minha filha! O pior de tudo, não era aquela transformação em seu comportamento!Era algo muito pior. Algo em seus olhos. Algo demoníaco!
Mando um escravo chamar o padre. Neste meio tempo eu havia trancado-a no quarto. Arranhava a porta com uma força e fúria que não pertenciam ao seu tamanho. Parecia uma besta. O preto que eu havia mandado como mensageiro volta com a notícia:
-- O padre Samuel não estava. Quem me atendera fora sua escrava, cuja, me disse que ele estava atendendo a outros casos e não saberia quando retornaria.
O quê? Não conseguia assimilar aquelas palavras. Desfaleço. Por sorte, Jeremias estava na sala e prontamente me acudira. Não acreditava! O demônio havia possuído o corpo de minha filha. Choro convulsionadamente. O que faria agora? Se Abigail, era a única coisa que restara de meu amor com Elisabeth?
Podia ouvir sobe minha cabeça, seus passos rangendo no assoalho. Olho pro meu escravo, como se ele contivesse a solução para o problema. Ele me encara, servil.
--Conheço um curandeiro que tira todas as coisas ruins do corpo, senhor...
Lá, era eu um protestante que iria à busca dum pagão?Mas era a única forma. Digo ao escravo:
-- Vá buscá-lo imediatamente.
                                                  ***
 Estavam no quarto: eu, Jeremias e o curandeiro. Atamos os pés e as mãos de minha filha a cama. 
O curandeiro era indígena. Tão logo, pôs-se a agir. Pegou dum cachimbo e bafejou sua fumaça no rosto da possuída. Agora não restava mais dúvida, ela estava endiabrada!
Nesse ínterim, o caboclo, pronunciava palavras que eram ininteligíveis para mim.  Contudo, não parecia surtir efeito. Pois ela ainda estava a rosnar. 
O dispenso.
Fico só na sala. A minha salvação seria o padre Samuel! Mando Jeremias procurar por ele. 
Onde estaria o padre?
                                                    *** 
Felizmente, logo Jeremias chegara .Samuel,tinha a cara abatida.
-- Bom dia... Desculpe a demora, é que a cidade inteira está sofrendo destes surtos. Até minha sobrinha... Satanás está usando nossas crianças para brincar conosco... Há alguém agindo em seu nome. Cadê onde ela está?
-- Lá em cima. – indico.
                                                    ***
Ela ainda estava presa a cama. Assim que o padre adentrou no quarto, ela começou a rosnar insanamente. Samuel pega o crucifixo e o põe na testa da minha criança. Abigail tenta se desvencilhar só que não consegue. O padre pronunciava algumas palavras que tinha pra mim como latim. E pergunta:
-- Quem és tu?
-- Sou Abigail. —responde sem aqueles rosnados.
-- Quem te causou esse mal?
-- A escrava Tituba, Sarah Good e Sarah Osbourne. — responde minha filha. Desamarro-a e abraço. O padre toca em meu braço e diz:
-- Posso conversar a sós com você?
Balanço a cabeça. Voltamos a sala.
-- O que sua filha disse, outras crianças também o disseram... Isto é caso para um julgamento. Daqui irei à casa do juiz. Lúcifer está usando essas mulheres...
Concordei. Tinha de ser tomada uma atitude o quanto antes. Conversamos mais um pouco e nos despedimos.
                                                 ***
No dia seguinte, as bruxas foram a julgamento. As crianças enfeitiçadas e tidas como testemunhas, apontaram outras mulheres de bruxaria. Algumas d negavam a acusação,no entanto, acabavam enforcadas. Sarah Good e Sarah Osbourne morreram minutos antes de serem julgadas. Tituba confessara tudo com um sorriso, amarelo e cínico, contudo fora absolvida.
No total vinte pessoas foram executadas e duzentas mantidas presas.

O texto supracitado é uma adaptação, feita por mim, à partir da famosa lenda da Bruxa de Salém.Logo, ela fora sujeitada a modificações.Contudo, tentei manter-me o mais fiel possível a história. 

Fale com o autor : https://www.facebook.com/raffael.petter